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Sabatina de Messias expõe tensão entre Lula e Alcolumbre e acende alerta no Planalto

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de marcar para 10 de dezembro a sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) acentuou o clima de tensão entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Para aliados do presidente Lula da Silva (PT), o gesto foi interpretado como uma “armadilha” destinada a reduzir drasticamente o tempo de articulação do indicado à vaga no Supremo Tribunal Federal.

Messias, que segundo a imprensa de São Paulo não teria apoio do ministro Alexandre de Moraes, enfrenta agora um desafio político expressivo: em apenas duas semanas, precisará conversar com os 81 senadores e construir os apoios necessários para superar a sabatina e a votação final em plenário, onde precisará de 41 votos.

Corrida contra o relógio e pressão por Lula em campo

Na avaliação do núcleo político do governo, o calendário é “dramático”. Apesar de Messias já ter iniciado uma série de conversas no Senado, auxiliado por nomes como o ministro André Mendonça e o líder do governo, Jaques Wagner (PT), a tendência é de que apenas uma intervenção direta do presidente Lula consiga alterar o cenário atual.

Wagner admitiu que o governo terá de intensificar a articulação:
“Eleição nunca é folgada. Já vimos aprovações por 45, 46 votos. O presidente terá que conversar com os senadores”, disse.

Desde que foi indicado, Messias tenta um diálogo institucional com Alcolumbre, mas o presidente do Senado não retornou nenhuma das tentativas de contato, reforçando o desgaste provocado pela decisão de Lula de ignorar a preferência de Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a Corte.

Sabatina marcada antes da formalização

Em gesto considerado uma demonstração de força, Alcolumbre marcou a sabatina antes mesmo de o Planalto enviar a mensagem oficial ao Congresso Nacional formalizando a indicação, primeira etapa exigida pelo Regimento Interno do Senado.

A Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil ainda prepara a documentação, mas o cronograma imposto por Alcolumbre já colocou o governo sob pressão, antecipando um clima de tensão institucional.

Relação desgastada e cenário de incerteza

O distanciamento entre Messias e o presidente do Senado ficou ainda mais evidente após a escolha de Lula. Segundo aliados do AGU, a prioridade tem sido buscar uma reaproximação institucional, mas sem retorno até o momento.

Com o tempo curto, resistência no Senado e um ambiente político fragmentado, o Planalto reconhece que a batalha pela vaga no STF se tornou um teste decisivo, não apenas para Messias, mas para o próprio governo.

O recado de Alcolumbre foi claro: a disputa pela vaga no Supremo está longe de ser apenas protocolar. É política no seu grau máximo.

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Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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