Um estudo recente revelou que 3,2% das celebrações religiosas no Brasil, incluindo cultos e missas, apresentaram algum tipo de propaganda eleitoral. A pesquisa, realizada durante o primeiro turno das eleições de 2026, destaca a presença da política nos espaços religiosos.
Detalhes do estudo
O levantamento, intitulado “Fé e voto: um retrato do discurso eleitoral nas igrejas brasileiras”, foi conduzido pela More in Common Brasil em parceria com o grupo de pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram analisadas 7.456 celebrações, incluindo missas católicas, cultos batistas e da Assembleia de Deus, totalizando mais de 13 mil horas de conteúdo.
As transmissões, realizadas nos dias 20 e 27 de setembro de 2026, foram examinadas para identificar manifestações políticas. Entre as celebrações avaliadas, 237 apresentaram algum tipo de propaganda eleitoral, que incluía pedidos de voto e manifestações favoráveis ou contrárias a candidaturas.
Diferenças entre denominações
O estudo revelou variações significativas entre as diferentes tradições religiosas. Nas celebrações da Assembleia de Deus, a propaganda eleitoral apareceu em 8,3% dos cultos. Entre os batistas, o índice foi de 1,4%, enquanto nas missas católicas chegou a 0,7%. Essas diferenças podem ser atribuídas à organização institucional das igrejas, com a Assembleia de Deus apresentando estruturas administrativas diversas, enquanto a Igreja Católica possui uma organização mais centralizada.
Manifestações cívicas
Além das propagandas eleitorais, o estudo identificou 1.141 ocorrências de manifestações cívicas, equivalentes a 15,3% das celebrações. Esses discursos incentivavam o voto consciente e o respeito às diferenças, sem recomendar uma candidatura específica. Um exemplo disso foi observado em uma igreja batista de Niterói, onde um pastor alertou sobre os riscos de desentendimentos familiares devido às eleições.
Foco nas eleições locais
Embora a disputa presidencial tenha dominado o debate público, as menções a candidatos ao Legislativo também foram significativas. O levantamento registrou 38 referências a candidatos a deputado estadual, 28 a deputado federal, e 32 relacionadas à Presidência da República. A proximidade entre candidatos e comunidades religiosas pode explicar essa presença de disputas locais nos púlpitos.
Limitações da pesquisa
Os pesquisadores destacaram que o estudo se concentrou em transmissões públicas de missas e cultos, não abrangendo conversas particulares ou grupos de mensagens, que também podem ser espaços de manifestação política. A relação entre fé e política exige responsabilidade das lideranças e dos membros das igrejas para preservar a comunhão e evitar a transformação do púlpito em instrumento de disputa partidária.
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