Os bastidores da política alagoana entraram em estado de alerta com a possibilidade cada vez mais concreta de a primeira-dama de Maceió, Marina Candia, disputar uma vaga no Senado em 2026. Sem nunca ter concorrido a um cargo eletivo, ela já aparece como um dos nomes mais competitivos do estado e ameaça diretamente dois pesos-pesados da política nacional, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o deputado federal Arthur Lira (PP-AL).
Aos 35 anos, Marina ganhou projeção ao lado do prefeito de Maceió, JHC (PL), e passou a se destacar nas redes sociais, onde acumula mais seguidores do que seus potenciais adversários. Recentemente, inclusive, ela alterou o nome do perfil para Marina JHC, gesto interpretado como mais um sinal de que sua entrada definitiva na política está próxima.
Candidatura ganha corpo
Nos círculos políticos, a avaliação é de que a entrada de Marina na disputa altera de forma significativa o cenário até então considerado praticamente definido. Pesquisas internas e levantamentos já divulgados a colocam à frente de Renan Calheiros e Arthur Lira quando testada para o Senado, um dado que causou desconforto entre lideranças tradicionais.
Inicialmente, a ideia era que Marina disputasse uma vaga na Câmara dos Deputados, repetindo o caminho trilhado por JHC entre 2015 e 2020. O avanço do seu nome para o Senado, no entanto, acelerou articulações e acendeu o sinal vermelho entre grupos adversários.
Senado em família
Caso a candidatura se confirme e resulte em vitória, Marina manterá uma das cadeiras de Alagoas no Senado sob influência direta da família. Atualmente, a vaga é ocupada por Eudócia Caldas (PL-AL), mãe de JHC, que assumiu o mandato após a renúncia de Rodrigo Cunha (Podemos-AL), em 2024. Eudócia, porém, não deve buscar a reeleição, já que não aparece bem posicionada nas pesquisas.
Marina admite que avalia a candidatura e diz que a decisão será discutida com o marido e com o grupo político ao qual ele pertence. Ela reconhece que parte do seu desempenho está ligada à popularidade de JHC, mas sustenta que há reconhecimento próprio por sua atuação em projetos sociais, esportivos e de incentivo ao empreendedorismo feminino.
Acordos e silêncios
A movimentação da primeira-dama ocorre em meio a especulações sobre um suposto acordo político em Brasília que manteria JHC na prefeitura em 2026. O arranjo teria como pano de fundo a indicação de uma tia do prefeito para o Superior Tribunal de Justiça e facilitaria os planos eleitorais de Renan Filho (MDB-AL) ao governo do estado, além das candidaturas de Renan Calheiros e Arthur Lira ao Senado.
Nunca confirmado oficialmente, o acordo passou a ser questionado nos bastidores diante da força do nome de Marina. Sua eventual candidatura seria uma forma de reposicionar o grupo sem romper publicamente compromissos já costurados.
JHC, por sua vez, mantém silêncio absoluto sobre o tema. Mesmo filiado ao PL e tendo apoiado Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, o prefeito tem evitado manifestações públicas e já é apontado como possível retorno ao PSB, partido com o qual mantém proximidade política.
Quem é Marina Candia
Formada em direito e administração, Marina Candia é natural de Cuiabá e neta do ex-vice-governador de Mato Grosso José Monteiro de Figueiredo. Mudou-se para Maceió em 2020, após a eleição de JHC, e tornou-se uma figura cada vez mais presente na agenda institucional do município.
Em outubro deste ano, recebeu o título de cidadã alagoana da Assembleia Legislativa, ampliando ainda mais sua inserção no cenário local. Mãe de dois filhos, Marina evita rótulos ideológicos e afirma não se identificar com divisões entre esquerda, centro ou direita, defendendo uma política voltada a resultados e transformação social.
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