A Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai começou a operar nesta sexta-feira, consolidando a segunda ligação viária entre os dois países na região de Foz do Iguaçu. A obra, considerada uma das mais relevantes intervenções de infraestrutura da fronteira, recebeu investimentos bilionários e passa a dividir o intenso fluxo concentrado há décadas na Ponte da Amizade.
A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acompanhou o início da operação da estrutura financiada com recursos do Novo PAC.
Nova ligação na fronteira
Com 760 metros de extensão e vão-livre de 470 metros, o maior da América do Sul, a ponte estaiada se destaca pelo porte e pela engenharia. Sustentada por duas torres de 190 metros de altura, equivalentes a prédios de mais de 50 andares, a estrutura conecta Foz do Iguaçu à cidade paraguaia de Presidente Franco.
A nova ligação surge como alternativa à Ponte da Amizade, que atualmente concentra a circulação diária de cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos, cenário que há anos pressiona a mobilidade urbana e a logística regional.
Nesta fase inicial, a travessia está autorizada apenas para caminhões sem carga, nos dois sentidos. A liberação ocorre de forma controlada, seguindo protocolos definidos pelos órgãos de fiscalização brasileiros e paraguaios.
Ônibus de turismo fretados devem ser incluídos nas próximas etapas, enquanto a liberação total para veículos de carga dependerá da conclusão das obras de acesso no lado paraguaio, com previsão entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A funcionalidade da ponte está diretamente ligada à Perimetral Leste, nova rodovia que reorganiza o tráfego pesado em Foz do Iguaçu. Com 14,7 quilômetros de extensão, a via conecta a BR-277 à ponte, desviando caminhões do centro da cidade e melhorando a segurança viária.
Na primeira semana de operação, mais de 10 mil veículos já utilizaram o novo corredor logístico. O conjunto de obras inclui ainda duas aduanas e seis viadutos, redesenhando a mobilidade da região.
Investimento
O empreendimento teve investimento total de R$ 1,9 bilhão, com participação dos dois países. Do lado brasileiro, a Itaipu Binacional financiou R$ 712 milhões, sendo parte destinada à construção da ponte e o restante às obras viárias e aduaneiras.
O modelo adotado envolveu o DNIT como órgão proprietário, o Governo do Paraná como executor e a Itaipu como responsável pelo repasse dos recursos, garantindo a conclusão da obra após décadas de discussões e ajustes institucionais.
Ponte como motor econômico regional
Autoridades envolvidas no projeto destacam que a nova ligação viária deve impulsionar o comércio internacional, o turismo e a integração produtiva entre Brasil e Paraguai, além de aliviar gargalos históricos da fronteira.
A expectativa é que a Ponte da Integração se torne um dos principais corredores logísticos do Mercosul, fortalecendo a competitividade regional e promovendo impactos diretos na economia local.
Obra de longa maturação
Idealizada ainda nos anos 1990, a ponte passou por diferentes etapas até ser incorporada ao Programa de Aceleração do Crescimento e efetivamente sair do papel. A construção teve início em 2019 e foi concluída fisicamente em 2023, com os ajustes finais realizados nos últimos anos.
A estrutura foi oficialmente batizada como Ponte da Integração Prefeito Jaime Lerner, em homenagem ao arquiteto paranaense reconhecido internacionalmente por sua contribuição ao urbanismo e à mobilidade.
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