Dia desses fiquei a meditar longamente acerca do que minha geração, quando ainda em seu alvorecer, viu e ouviu sobre o nosso paÃs.
Comecei lembrando a inauguração da hidrelétrica de Itaipu. Não poucas vezes ouvi, naqueles dias, pronunciamentos inflamados no sentido de que tratava-se de um âelefante brancoâ, uma âobra faraônicaâ. Em sala de aula um meu professor nos ensinou tratar-se de um absurdo, pois ele tinha em mãos cálculos sérios garantindo que o Brasil não teria problemas com energia para os próximos dois séculos. Vendo, hoje, o meu paÃs importando energia elétrica do Uruguai e da Argentina, e bem assim sofrendo âapagõesâ constantes, fico a me perguntar: o que aconteceu?
Fomos testemunhas da aurora do álcool combustÃvel – e bem assim da inumerável quantidade de crÃticas a ele dirigidas. Diante de um projeto pioneiro a nÃvel mundial foi o próprio povo brasileiro, instigado por alguns, a desacreditá-lo. Contemplando, hoje, o meu paÃs importando etanol dos EUA, fico a me perguntar: o que aconteceu?
Recordo-me, enquanto fascinado pela tecnologia, das tantas iniciativas buscando o desenvolvimento de computadores genuinamente nacionais – e bem assim daqueles que as sabotaram, sob o argumento de que era melhor importá-los a preços módicos. Mirando o meu paÃs, em pleno século 21 ainda um mero âmontadorâ de prosaicas calculadoras de bolso, incapaz de fabricar um único âchipâ que seja, fico a me perguntar: o que aconteceu?
Guardo na memória os tantos empreendimentos que buscavam o desenvolver de uma indústria automobilÃstica genuinamente nacional – todos eles desmoralizados pelos censores de plantão até que fracassassem. Assistindo ao desfile de veÃculos e caminhões importados ou produzidos por empresas transnacionais percebo que um paÃs de dimensões continentais optou por construir rodovias e não desenvolver sua indústria automobilÃstica! E fico a me perguntar: o que aconteceu?
Envelheci. E vi os Salvadores da Pátria a trombetearem que o Pré-Sal seria comercialmente inviável ainda durante décadas – havia, pois, que se entregá-lo a estrangeiros. Vendo que tão logo entregue passou a produzir petróleo como nunca, fico a me perguntar: o que aconteceu?
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Contemplo, com a alma em lágrimas, a bandeira do meu pobre paÃs. E fico a exclamar: o que aconteceu?
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