O presidente Lula (PT) cobrou os seus ministros para que haja coordenação nas falas e ações, durante reunião de emergência realizada nesta segunda-feira (13) para tratar da crise climática no Rio Grande do Sul.
Lula pediu que alguns ministros retratem a realidade em suas falas e não fiquem “inventando coisas” que ainda não foram discutidas no âmbito do governo.
“Cada ministro que for falar, ou cada ministra, [é preciso] tentar falar sempre a mesma coisa que está acontecendo, não ficar dizendo coisas que não estão acontecendo, ficar inventando coisas que ainda não discutiu”, afirmou o presidente.
“Ou seja, não dá para cada um de nós que tem uma ideia anunciar publicamente essa ideia. Uma ideia é um instrumento de conversa no governo para que a gente transforme a ideia numa política real. Não é cada um que tiver uma ideia, vai falando da sua ideia, vai dizendo o que vai fazer, porque isso termina não construindo uma política pública sólida e uma atuação muito homogênea do governo, no caso do Rio Grande do Sul”, completou.
A reunião ministerial ocorreu no fim da tarde, no Palácio do Planalto, e o áudio da fala inaugural de Lula foi divulgado pela Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência).
Todos os 38 ministros participaram da reunião, que foi convocada em caráter emergencial pelo presidente, para discutir as ações federais para enfrentar a calamidade climática.
Lula disse que é um compromisso seu deixar o Rio Grande do Sul “como era antes da chuva”.
O presidente também voltou a criticar os “negacionistas” do aquecimento global, acrescentando que estamos vivendo “tempos difíceis”.
“Muitas vezes os negacionistas passam para a humanidade, para a sociedade, a ideia de que esse negócio do clima, de aquecimento do planeta, de chuvas torrenciais, de furacões, é coisa de ambientalista ou coisa de intelectual. Quando na verdade o mundo está passando por um processo de transformação que somente nós, seres humanos, seremos capazes de controlar”, afirmou.
O estado enfrenta há duas semanas fortes chuvas, que provocaram inundações na maior parte de seus municípios. O número de mortos chegou a 147.
A calamidade climática atingiu 447 municípios gaúchos. Segundo o mais recente boletim da Defesa Civil, 538 mil pessoas estão desalojadas.
O nível do lago Guaíba, em Porto Alegre, está subindo rapidamente desde a madrugada desta segunda, em razão das chuvas que atingem a capital gaúcha e regiões já afetadas pelos temporais, como o vale do Taquari, desde a última semana.
Segundo monitoramento divulgado pela Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura) do Rio Grande do Sul, o patamar do lago Guaíba chegou a 4,84 metros às 9h —20 centímetros maior do que o registrado à meia-noite.
O nível de alerta do lago é 2,5 metros. A inundação ocorre quando o nível chega a três metros.
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