Três familiares de Sixto Vega Arana foram mortos dentro de casa, em Flor de Bastión, noroeste de Guayaquil, após serem acusados de não pagar uma extorsão. A vítima, sua esposa e filha foram executados a tiros. O único sobrevivente foi o neto do casal, um bebê de um ano, que agora está sob os cuidados de parentes.
Poucos dias depois, em 3 de setembro, uma segunda chacina ocorreu em uma residência na Cidadela Rotaria, também em Guayaquil. Nesse caso, foram assassinados o pai, de 66 anos, a mãe, de 63, e o filho, de 28 anos. O ataque, realizado por mais de cinco homens em motocicletas, aconteceu por volta da 1h30 da madrugada. Até o animal de estimação da família foi morto. O chefe de polícia do distrito de Nueva Prosperina, Roberto Pastor, confirmou que o grupo armado invadiu a casa e executou os moradores.
Coincidências entre os ataques
Nos dois massacres, além do fato de as vítimas pertencerem a famílias evangélicas, as fachadas das residências exibiam mensagens bíblicas. Na primeira casa, havia a frase “Deus te abençoe, Cristo te ama” e um trecho de Isaías 41:10: “Não temas, eu estou contigo. Eu sou o teu Deus, não tenhas medo. Eu te fortalecerei, sim, eu te ajudarei…”.
Já na segunda residência, foram encontradas duas placas: uma com a frase “O sangue de Cristo tem poder” e outra com a passagem do Salmo 91:1: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”. Esses textos são tradicionalmente usados por evangélicos como expressão de confiança na proteção divina diante de perigos e ameaças.
Além das mensagens bíblicas, os dois ataques apresentam outras semelhanças: aconteceram durante a madrugada, em momentos em que o bairro estava em silêncio; os atiradores dispararam contra as fachadas antes de invadir; e, em ambos os casos, as famílias inteiras foram executadas.
Violência e extorsões
Segundo o Observatório Equatoriano do Crime Organizado, o país registrou 4.619 homicídios no primeiro semestre de 2025, o maior número já contabilizado para o período. Em bairros como Flor de Bastión, moradores têm abandonado suas casas por medo, após ameaças e cobranças das chamadas “vacinas”, espécie de extorsão praticada por grupos criminosos.
De acordo com relatos locais, uma das famílias evangélicas assassinadas havia sido pressionada a pagar US$ 50.000 (cerca de R$ 270 mil). A recusa em efetuar o pagamento pode ter motivado os ataques.
Os assassinatos chamaram atenção não apenas pela brutalidade, mas também pelo fato de as vítimas serem identificadas por sua fé. Os versículos exibidos nas fachadas, em passagens que falam de proteção e confiança em Deus, revelam a esperança que essas famílias mantinham em meio ao avanço da violência. Como afirma o texto bíblico em Salmo 46:1: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”.
De acordo com o Evangelico Digital, as autoridades continuam investigando se os crimes estão diretamente ligados às extorsões ou se existe um padrão específico contra famílias evangélicas na região. Enquanto isso, comunidades cristãs locais têm relatado medo e insegurança diante da escalada da violência em Guayaquil.
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