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Documentário baiano sobre escritoras na diáspora ganha nova exibição em Salvador e concorre em festival em São Paulo

 

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Depois de uma agenda especial em julho, passando pela Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e pelo Julho das Pretas, em Salvador, o documentário “Cartas Para”, dirigido por Vânia Lima com produção da Têm Dendê Produções, tem nova agenda em agosto. Nesta terça (18), ele integra o programa “Cinema na Casa”, que acontece no Teatro Cambará, Casa Rosa (Rio Vermelho). Depois da sessão, a diretora Vânia Lima participa de uma roda de conversa com a poeta Lívia Natália, em encontro mediado pela curadora do projeto, Dayse Porto. O acesso é gratuito. Já no dia 26, o filme ganha exibição no festival de documentários Citronela, em Ilhabela (SP), na “Mostra Nacional Longas”.

Elisa Lucinda

Em “Cartas Para”, que tem distribuição da Lança Filmes, Paulina Chiziane, em Moçambique, Elisa Lucinda, no Brasil, e Raquel Lima, em Portugal, têm seus cotidianos revelados e alterados na troca de nove cartas que atravessam o Atlântico e sua história colonial. A produção baiana percorreu importantes festivais no Brasil, como o Festival do Rio e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Os desejos e angústias de Elisa, Paulina e Raquel para seguirem escritoras na diáspora são apresentados em uma narrativa poética de sons, espiritualidades e corpos, que a existência desafia o racismo, machismo e xenofobia, mirando no futuro da Língua Portuguesa e seus falantes.

As artistas se debruçam sobre os processos que envolvem seus trabalhos, o papel da escrita em suas vidas e a descoberta de suas vozes. Elisa Lucinda, por exemplo, afirma, no filme, que considera o poema como uma carta. “Todo poeta está escrevendo uma carta, um bilhete. Mesmo que seja para si mesmo. Mesmo que seja para o imaginário. Nunca é sem remetente”, diz a poetisa que é também cantora e atriz. A brasileira se destaca no mercado editorial nacional e é uma das maiores responsáveis pela popularização da poesia no país.

Paulina Chiziane

“O poder de uma voz não conhece fronteiras e atravessa espaços e tempos. (…) Para ter voz, é preciso lutar por ela e conquistá-la”, escreveu Paulina Chiziane em carta para Raquel Lima, revelada no filme. “A escrita, para mim, funciona como esse espaço de exorcismo dos meus fantasmas”, diz, no documentário, a escritora moçambicana, militante do feminismo, a primeira mulher negra a publicar um romance em Moçambique e a primeira mulher africana a receber o Prêmio Camões (2021).

“Eu acho que a língua é um espaço de poder, um espaço para problematizar. Mas também um espaço para ocupar e para reinventar”, analisa, em “Cartas Para”, Raquel Lima, poeta, investigadora, arte-educadora e ativista portuguesa. Ela é doutoranda do Programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e a sua investigação centra-se em Oratura, Escravatura e Movimentos Afro Diaspóricos. A diretora Vânia Lima define o projeto como um trabalho de criação compartilhada. “Contamos uma história juntas, um filme com elas e não sobre elas. Foi uma experiência que mudou a minha forma de dirigir e de pensar documentário”.

Com produção da Lima Comunicação, parte do Grupo Têm Dendê, “Cartas Para” reúne profissionais do Brasil, Moçambique e Portugal. A equipe conta ainda com Keyti Souza e Taguay Tayussy na produção executiva, Bruno Ramos na direção de produção e Cláudio Antônio na direção de fotografia. O filme foi realizado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), via Prodecine/2016 e Suporte Automático, gerido pelo BRDE e Agência Nacional de Cinema (Ancine).

Dados técnicos

Direção: Vânia Lima

Roteiro: Vânia Lima

Empresa Produtora: Têm Dendê Produções / Lima Comunicação

Produção executiva: Keyti Souza, Taguay Tayussy

Direção de produção: Bruno Ramos e Keyti Souza

Direção de fotografia: Claudio Antônio

Montagem: Juliana Guanais

Som direto: Gabriela Damasceno, Laura Zimmermann, Ana Luiza Penna, Haydson Oliveira, Ivan Muniz

Desenho de Som: Eduardo Ayrosa

Trilha sonora: Luciano Silva, Lenna Bahule

Elenco completo (nome e crédito): Elisa Lucinda, Paulina Chiziane, Raquel Lima

Data de finalização: Julho/2025

País de produção: Brasil, Moçambique, Portugal

Duração: 89 min

Gênero: Documentário

Distribuição: Lança Filmes

Sobre a Têm Dendê

Com 26 anos de fundação, o Grupo Têm Dendê constrói seus filmes a partir de uma relação com as diversas audiências, se destacando por um portfólio diversificado com longas documentais, séries de ficção e documental, além da carteira mais recente de filmes, com “Sambadores”, “Um Carnaval em Cada Esquina”, “Pontos de Força”, “Tempo à Faca”, “Antes que me esqueçam meu nome é Edy Star”, entre outros projetos que atravessam fronteiras físicas, de linguagem e afetivas.

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Sobre a distribuidora

A Lança Filmes é uma empresa distribuidora de conteúdo audiovisual. Sediada no Rio Grande do Sul, a Lança atua na difusão de obras que provocam, emocionam e expandem os horizontes do público. Com mais de 30 estreias de longas-metragens nos cinemas, a empresa trabalha também com conteúdos para diferentes janelas, como televisão e plataformas digitais, acompanhando os projetos desde a fase inicial até sua chegada ao público. Entre seus títulos mais recentes estão Máfia de Pelúcia, Bia Mais Um, Os Dragões, A Primeira Morte de Joana e O Mestre da Fumaça.

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