Elon Musk tem dedicado parte do seu tempo ao diálogo virtual com polÃticos da direita nacional em sua rede social, o X, ex-Twitter. Na quarta-feira, ajudou a divulgar posts de um grupo de deputados que viajou a Bruxelas para âdenunciarâ a transformação do Brasil em uma ditadura. A convite de um representante do partido Vox, da direita espanhola, Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis, Ricardo Salles, Marcos Pollon, Gustavo Gayer e Júlia Zanatta, todos do PL, participaram de um encontro do ECR Group, que diz reunir âconservadores e reformistasâ no Parlamento Europeu.
âO que acontece no Brasil é pior do que na Venezuelaâ, discursou Gayer. âO Brasil é o campo de batalha para um novo tipo de ditadura, Chamo de transditadura. à um laboratório de como implantar uma ditadura disfarçada de democracia. Estamos gritando por ajuda.â Disse ainda que há âcentenas e centenasâ de presos polÃticos no paÃs e que, ao retornar, poderia ele mesmo ser preso por suas palavras. Gayer tem direito a sua versão, mas não significa que seja legÃtimo criar fatos.
Num outro vÃdeo, Gayer, Eduardo Bolsonaro e Pollon agradecem a Musk por divulgar ao mundo âos ataques à liberdade de expressão e o nascimento de uma ditaduraâ no Brasil. O deputado Luiz Phillipe ajudou os colegas na rede: afirmou que, à exceção do X, todas as redes sociais aceitam violar a lei porque temem o Judiciário. Musk repostou os vÃdeos com um comentário â âverdadeâ. à o que ele pensa da concorrência, que tanto teme.
Enquanto os deputados tentavam convencer os europeus e atacavam o Judiciário e o ministro Alexandre de Moraes no exterior, seus colegas decidiam na Câmara sobre a manutenção da prisão provisória decretada por Moraes de Chiquinho Brazão, acusado de ser o mandante do assassinato de Marielle Franco. Com uma margem de apenas vinte votos, a maioria manteve Brazão na cadeia â 277 votos, quando o mÃnimo era de 257.
Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) comanda uma máquina polÃtica no Rio que fez fortuna em parceria com as milÃcias. A revelação pela PolÃcia Federal de que foi o mandante da morte de Marielle e do motorista Anderson Gomes escancarou o grau de infiltração do crime organizado nas instituições. O PL, partido dos deputados que denunciam a âditaduraâ no paÃs, orientou abertamente a bancada a votar pela soltura de Brazão, sob o argumento de que a prisão era inconstitucional. O União Brasil, partido que expulsou Brazão, ajudou. Conseguiram 129 votos, 71 deles eram do PL, e 22 do União. Outros partidos do Centrão se dividiram. O PP, por exemplo: 18 votos pela prisão, dez pela libertação e 12 abstenções.
O placar mostra que a polarização polÃtica ultrapassa a disputa partidário-eleitoral, confunde conceitos básicos e embaralha a democracia.
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Os que pregaram a liberdade do deputado usaram o caso para tentar mandar recados ao Supremo, não se importando em assumir os riscos. Brazão personifica um dos maiores problemas do paÃs, o crime organizado e seus braços institucionais. Foi por pouco, e, por isso mesmo, a Câmara falhou.
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