O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva, gesto que reacende o embate com o governo de Lula da Silva (PT) que critica abertamente o patamar considerado um dos mais altos das últimas duas décadas. A taxa permanece no maior nível desde julho de 2006, exibindo a postura conservadora da autoridade monetária diante de um ambiente ainda marcado por incertezas.
A estabilidade da Selic já era esperada pelo mercado financeiro. Levantamentos recentes indicavam que praticamente todas as instituições consultadas projetavam manutenção dos juros, com apenas duas casas vislumbrando um corte mínimo. O recado do Copom, porém, vai além da taxa: a instituição reforçou o discurso de vigilância rígida, sinalizando que pode voltar a elevar os juros se considerar necessário.
O cenário que sustenta essa decisão envolve fatores que o Banco Central acompanha de perto. Embora as expectativas de inflação para 2025 tenham recuado para 4,40%, elas seguem acima da meta de 3%, com tolerância até 4,50%. Para horizontes mais longos, como 2027 e 2028, os números permanecem estagnados, o que reforça a preocupação do BC com o risco de desancoragem. A inflação oficial de novembro, medida pelo IPCA, fechou em 4,46%, dentro do intervalo da meta, resultado comemorado pela equipe econômica.
Ainda assim, a conjuntura não é simples. A economia dá sinais de desaceleração mais suave do que o esperado, com o PIB do terceiro trimestre registrando elevação de 0,1%. O mercado de trabalho, por sua vez, permanece aquecido, com a taxa de desemprego em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, uma das menores da série histórica. A resiliência da atividade pesa na leitura do Copom, que avalia que o processo de desinflação exige cautela prolongada.
A volatilidade cambial também entra no radar. O dólar ganhou força nos últimos dias, impulsionado por incertezas políticas e pela movimentação eleitoral antecipada, como o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, fator que ampliou ruídos no cenário político-econômico.
Apesar disso, a autoridade monetária identifica sinais positivos no horizonte internacional, especialmente após a redução dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Esse movimento tende a aliviar pressões externas sobre países emergentes como o Brasil.
Com a Selic mantida em 15%, o Banco Central deixa claro que não pretende ceder à pressão do governo e que considera essencial preservar a credibilidade no combate à inflação. Enquanto isso, o Planalto reforça críticas e insiste que os juros altos travam investimentos e prejudicam o crescimento. O embate promete seguir como peça central no xadrez político e econômico de 2025.
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