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Canadá multa igreja por realizar evento com evangelista americano

A Igreja Ministerios Restauración, localizada no bairro Plateau-Mont-Royal, em Montreal, foi multada em US$ 2.500 por sediar um culto conduzido pelo missionário norte-americano Sean Feucht.

A congregação, de língua espanhola, foi penalizada pelas autoridades municipais sob a alegação de ter realizado o evento sem a devida autorização. A visita de Feucht à cidade integrou a turnê evangelística Revive in 25, que tem enfrentado resistência em diversas localidades do Canadá.

Segundo o National Post, o governo municipal justificou a penalidade à igreja com base no descumprimento de regulamentações locais. Um porta-voz do gabinete da prefeita Valérie Plante declarou: “Este espetáculo contraria os valores de inclusão, solidariedade e respeito defendidos em Montreal”. O representante ainda afirmou: “A liberdade de expressão é um dos nossos valores fundamentais, mas discursos de ódio e discriminação não são aceitáveis em Montreal”. A multa, segundo a prefeitura, decorre da realização do culto sem licença apropriada.

Feucht, conhecido por seu apoio ao ex-presidente Donald Trump e por se posicionar publicamente contra o aborto, a ideologia transgênero e a homossexualidade, tem atraído oposição por parte de autoridades e manifestantes em diversas cidades canadenses. Durante o evento em Montreal, vídeos postados na plataforma X mostraram policiais armados dentro da igreja, além do lançamento de uma bomba de fumaça contra o palco. Um homem de 38 anos foi detido por obstrução.

A turnê também enfrentou restrições em outras cidades. De acordo com a CTV News, pelo menos seis localidades cancelaram apresentações do missionário, entre elas Halifax (Nova Escócia), Charlottetown (Ilha do Príncipe Eduardo), Moncton (Nova Brunswick), Quebec e Gatineau (Quebec) e Vaughan (Ontário). Em Toronto, registros em vídeo mostraram a presença de agentes armados nos arredores de outro culto liderado por Feucht.

Em Winnipeg, o prefeito Scott Gillingham declarou à CBC em 29 de julho que a cidade ainda avaliava a autorização para o evento. “Embora suas opiniões sejam controversas, a Carta de Direitos e Liberdades do Canadá protege a liberdade de expressão”, afirmou. Ainda segundo o prefeito: “Meu entendimento, a partir de algumas coisas que vi… ou ouvi no passado, nos Estados Unidos, não é algo que, você sabe, valorizaríamos”.

Em declaração publicada no X, Feucht alegou estar enfrentando hostilidade por expressar sua fé publicamente. “Aqui está a dura verdade: se eu tivesse aparecido com cabelo roxo e vestido, alegando ser mulher, o governo não teria dito nada. Mas professar publicamente crenças cristãs profundamente arraigadas é ser rotulado de extremista — e ter um evento de culto gratuito classificado como um risco à segurança pública”, escreveu em 25 de julho.

O missionário também fez referência ao movimento Let Us Worship, iniciado por ele em 2020 como resposta às restrições impostas por governos locais durante a pandemia. “A pandemia pode ter acabado, mas o preconceito anticristão permanece”, declarou. No mesmo comunicado, reafirmou a continuidade de sua turnê: “Não nos encolheremos diante da perseguição religiosa — seja nos Estados Unidos, no Canadá ou em qualquer outro lugar. Encontraremos lugares para orar. Encontraremos lugares para louvar”.

No sábado, 27 de julho, Feucht escreveu em outra publicação que a oposição enfrentada no Canadá foi mais intensa do que em países reconhecidos por hostilidade à fé cristã. “Liderei louvores e preguei na África, no Oriente Médio e em todo o mundo em 2025. A perseguição mais intensa não ocorreu no Iraque ou na Turquia — mas no CANADÁ! Não tinha isso no meu cartão de bingo”, disse.

A condução do caso gerou reações dentro do próprio Canadá. Legisladores da Colúmbia Britânica expressaram insatisfação com a forma como Feucht foi tratado pelas autoridades, conforme reportado pelo Western Standard. O episódio também reacendeu o debate sobre liberdade religiosa no país.

Feucht, ex-líder de louvor da Bethel Music, também foi alvo de denúncias no início de 2025. Ex-colegas o acusaram de abuso espiritual e impropriedade financeira. Ele rejeitou as acusações como sendo “uma farsa completa”, de acordo com informações do portal The Christian Post.

O Canadá tem sido alvo de observações internacionais quanto ao tratamento de cristãos nos últimos anos. Durante a pandemia de COVID-19, vários líderes religiosos foram presos por conduzirem cultos. Um dos casos de maior repercussão ocorreu em 2021, quando o pastor Tim Stephens, de Calgary, foi detido após um helicóptero da polícia localizar sua congregação reunida ao ar livre. Na ocasião, o senador norte-americano Josh Hawley, do Missouri, pediu à Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional que avaliasse a inclusão do Canadá em sua lista de vigilância.

Fonte: clique aqui.

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