Pelo menos 30 pessoas foram mortas na comunidade de Ungwan Rukuba, em Jos North, no estado de Plateau, na Nigéria, durante um ataque ocorrido na noite do Domingo de Ramos. Testemunhas relataram que homens armados invadiram a área e dispararam contra moradores em diferentes residências.
O trabalhador humanitário Alex Barbir afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que as vítimas eram cristãs e foram atacadas durante uma data significativa do calendário cristão.
Diante da escalada da violência, o governo do estado de Plateau decretou toque de recolher de 48 horas em partes do norte de Jos. A medida busca conter novos confrontos. Apesar disso, moradores foram vistos protestando nas ruas e bloqueando vias em algumas regiões.
Relatos adicionais indicam que, ainda no domingo, ao menos 10 pessoas morreram em tiroteios em áreas como Angwa Rukuba Junction, Eto Baba e comunidades estudantis próximas.
As informações sobre os responsáveis pelos ataques divergem. Uma testemunha atribuiu a ação ao grupo Boko Haram, enquanto outros moradores mencionaram milícias Fulani armadas, que teriam chegado em motocicletas, efetuado disparos e se retirado para áreas montanhosas. Até o momento, autoridades de segurança não confirmaram a identidade dos agressores.
Moradores locais orientaram estudantes e residentes a permanecerem em casa devido à continuidade das tensões.
Em outro episódio no estado de Kaduna, pelo menos 13 pessoas foram mortas na madrugada de domingo na vila de Kahir, na região de Kagarko. Segundo relatos, as vítimas participavam de uma celebração quando homens armados abriram fogo.
O morador Habila Markus afirmou que familiares estavam entre os mortos. Outros feridos foram encaminhados para atendimento médico. Registros comunitários indicam que as vítimas tinham entre 21 e 31 anos e eram das localidades de Kahir, Kadda e Kukyer.
“Lamentamos. Sofremos. Mas também precisamos dizer a verdade: como chegamos a este ponto? Como é possível que as pessoas não se sintam mais seguras em suas próprias casas? Como é possível que, mesmo em um dia sagrado, as comunidades sejam deixadas expostas a tanto terror?”, questionou o arcebispo Daniel Okoh, presidente da Associação Cristã da Nigéria (CAN).
Os ataques ocorreram durante o período do Domingo de Ramos, em meio a um histórico de violência na região durante a Semana Santa.
Dados de relatórios anteriores apontam episódios semelhantes no estado de Plateau. Em 2025, a organização International Christian Concern registrou a morte de ao menos 54 cristãos na vila de Zikke, após o Domingo de Ramos, além da destruição de mais de 100 casas.
Em 2024, quatro pessoas morreram em ataques nas localidades de Njukkudel e Tangur, durante a segunda-feira de Páscoa. Ocorrências em 2021 e 2022 também registraram destruição de residências e deslocamento de moradores no período.
Em 2020, nove pessoas, incluindo crianças e uma mulher grávida, foram mortas em Hura-Maiyanga, no governo local de Bassa, durante a Semana Santa.
Os episódios registrados em 2026 reforçam um padrão de ataques violentos em datas religiosas na região, afetando comunidades cristãs e ampliando o cenário de insegurança durante celebrações importantes do calendário da fé.
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