Andy Roberts, diretor-executivo da Church Mission Society (CMS), defendeu uma mudança significativa na condução das missões cristãs globais. Ele propõe que as igrejas locais na África, Ásia e América Latina assumam mais liderança, em vez de dependerem das agências ocidentais.
Reavaliando o modelo tradicional de missões
Em um balanço de seu primeiro ano à frente da CMS, Roberts destacou a necessidade de um “realinhamento radical” da agência, que busca se tornar menos centrada no Reino Unido. Ele argumenta que o modelo tradicional, onde igrejas ocidentais arrecadam recursos e enviam missionários, já não reflete a diversidade e a conectividade da Igreja atual.
“A missão hoje vem de toda parte e vai para toda parte.”
— Andy Roberts
Roberts sugere que parte das ofertas poderia ser direcionada para apoiar redes de iniciativas lideradas por cristãos locais, permitindo que as comunidades desenvolvam suas próprias estratégias de evangelização e discipulado.
Crescimento do cristianismo no Sul Global
Segundo dados apresentados por Jason Mandryk, do Operation World, cerca de 70% dos cristãos do mundo vivem na África, Ásia e América Latina. Além disso, quase 70% do crescimento cristão global ocorre no continente africano. Esses números foram discutidos na Assembleia Geral da Aliança Evangélica Mundial, realizada em Seul, em outubro de 2025.
70%dos cristãos vivem na África, Ásia e América Latina
Experiência no Brasil e novas prioridades
Roberts tem uma conexão pessoal com o Brasil, onde ajudou a fundar a ReVive International, uma organização que acolhe meninas em situação de vulnerabilidade. Ele deixou a liderança do projeto com uma colega brasileira, destacando a importância de líderes locais.
A CMS planeja concentrar seus esforços em grupos à margem do discipulado, como comunidades afetadas por conflitos, povos indígenas, pessoas de origem muçulmana e migrantes. Roberts enfatiza que o discipulado deve influenciar a forma como os cristãos lidam com questões como dinheiro, poder e injustiça.
Roberts conclui que as organizações ocidentais devem continuar a enviar e contribuir, mas sem se colocarem no centro da missão cristã global.
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