Não é nada de errado e tampouco é incomum que um homem queira ter acesso aos melhores perfumes masculinos ou que uma mulher sonhe ter em seu closet uma bolsa Louis Vuitton original usada por suas influencers favoritas. A vaidade, quase sempre, está relacionada à autoestima e é, para muitas pessoas, algo bastante saudável e natural. Há, por exemplo, estudos que apontam que os primeiros sinais de depressão, em muitos casos, se tornam evidentes, justamente, pela falta de cuidado com a própria imagem. A informação foi confirmada pelo psiquiatra Adiel Rios, pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na matéria "Descuido com a aparência pode ser depressão. Saiba outros 7 sinais" publicada no site Metrópoles, em 18/02/2022 . Deixar de cuidar dos cabelos ou parar de se importar se as roupas estão adequadas para certas ocasiões são apenas alguns dos sinais que demonstram que há algo de errado acontecendo no íntimo de alguém. A questão que está sendo discutida nos últimos anos é, justamente, sobre o equilíbrio entre os pontos extremos: a vaidade excessiva, na busca insana por uma perfeição inalcançável, e o total desinteresse e descuido com a própria aparência. As redes sociais estão exercendo um impacto poderoso sobre as mentes mais jovens, e isso inclui os novos adultos, também. O excesso de informação e de perfeição exibida através das telas tem feito com que as pessoas passem a acreditar que sempre há algo a mais a ser realizado para se tornar mais bonito e atingir um padrão considerado desejável para a sociedade, mas isso pode ser tão bom quanto perigoso. Dispara o número de cirurgias plásticas em menores de 18 anos Em apenas 10 anos, o número de cirurgias plásticas realizadas em adolescentes com idades entre 13 e 18 anos mais que dobrou. O aumento de 141% revelado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica pode ser justificado com diversos aspectos, mas certamente um dos principais é o efeito causado pelas redes sociais e, também, pela nova forma mais comum de fotografia: a selfie. Apenas no ano de 2017, mais de 70 mil adolescentes realizaram um procedimento chamado rinoplastia, com a finalidade de remodelar o nariz. Outras dezenas de milhares de jovens realizaram implante de silicone, antes mesmo de terem seus corpos completamente desenvolvidos, fazendo com que este tenha sido o segundo procedimento cirúrgico mais realizado em adolescentes, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). Seria injusto dizer que todas essas cirurgias foram realizadas sem necessidade, mas é fato que grande parte delas ocorre por uma pressão estética banal, baseada em padrões de beleza temporários. Acesso facilitado é um dos fatores que aumenta o número de cirurgias em jovens Muitas pessoas recorrem às cirurgias plásticas para corrigir imperfeições estéticas que lhes causam constrangimento, bullying ou sérios problemas de autoestima, mas de alguns anos para cá, o caminho até a decisão de recorrer ao bisturi está cada vez mais curto. Se há 10 anos atrás fazer uma cirurgia plástica era algo complexo e caro, hoje é algo que pode ser decidido e executado em poucos dias. Alguns exames precisam ser realizados antes do procedimento e o pagamento de praticamente todas as operações pode ser realizado através de uma maquininha Ton ou Moderninha. Basta uma passada de cartão e um pouco de coragem e quase todo mundo pode realizar uma mudança definitiva na sua aparência. A busca pelo corpo perfeito dos influencers As dietas, cada vez mais restritivas, não são mais sobre questões de saúde reais. Pré-diabético pode comer manga? Como substituir a farinha em dietas para intolerantes à glúten? O que fazer para incluir cálcio de forma natural na alimentação de pessoas intolerantes à lactose? Hoje, é mais comum encontrar pessoas aderindo a dietas das quais não necessitam realmente, apenas por influência de famosos das redes sociais. Remover glúten, lactose, açúcar, sal e vários outros tipos de componentes alimentares pode ser benéfico em muitos casos, mas a receita não é algo que serve para todos. O problema é que, nos últimos anos, quando uma informação é bastante difundida na internet, é comum que passe a ser vista como verdade absoluta, podendo induzir pessoas a cometerem erros graves em suas dietas e conduzindo a problemas de saúde. Quando o resultado alcançado não é o desejado, as orientações generalistas muitas vezes acabam por aumentar as possibilidades de desenvolvimento de distúrbios alimentares e de imagem, e isso se torna, também, um afluente para o universo das cirurgias plásticas. Lipoaspirações e abdominoplastias, por exemplo, estão sendo feitas cada vez mais cedo, em busca de uma perfeição corporal vendida como natural nos perfis de instagramers e tiktokers que já possuem inúmeros procedimentos estéticos realizados. Não é fácil alcançar os mesmos padrões apenas com alimentação e exercícios, e isso faz com que cada vez mais jovens decidam recorrer às cirurgias. Expectativas reais Alguns adolescentes, de fato, podem precisar de cirurgias plásticas para seu bom desenvolvimento emocional, psicológico e social, porém, é importante que os pais fiquem atentos se há necessidade real para a realização desses procedimentos. Ceder ao desejo dos filhos a fim de, simplesmente, não criar um conflito de opiniões ou de gerar alguma frustração no adolescente, deve estar fora de cogitação. Cirurgias plásticas envolvem riscos de complicações que vão desde hematomas até a morte e não devem ser tratadas de forma banal.Fonte: Bahia Notícias