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eterno Capitão Kirk conta como é ir ao espaço

William Shatner, ator que deu vida ao Capitão James T. Kirk em Star Trek, conta em entrevista como foi ir ao espaço suborbital com a Blue Origin

13 mar
2024
– 22h45

(atualizado às 22h57)

William Shatner, nosso eterno Capitão James T. Kirk na série original de Star Trek, completa 93 anos em 22 de março. Para comemorar a data, o History Channel promete uma programação especial da série Inexplicável, apresentada pelo ator. Em entrevista coletiva com a imprensa nesta terça-feira (12), Shatner contou suas experiências e deu um gostinho do que esperar da produção.



Foto: History Channel / Canaltech

Inexplicável estreou em 2019 e vem explorando mistérios fascinantes da história. A quarta temporada da série vai ser lançada em junho, mas antes disso, o History vai exibir uma maratona de episódios comandados por Shatner. Claro que a homenagem não é sem motivo: nascido em 1931 em Montreal, no Canadá, Shatner fez sua estreia na atuação em 1956, e dez anos depois, abraçou o papel que lhe transformaria em um ícone da ficção científica.




William Shatner como o capitão James T. Kirk na série original de Star Trek (Imagem: Divulgação/CBS/Paramount)

William Shatner como o capitão James T. Kirk na série original de Star Trek (Imagem: Divulgação/CBS/Paramount)

Foto: Canaltech

Em setembro de 1966, ele deu vida ao Capitão James T. Kirk, comandante da nave espacial USS Enterprise, em Star Trek (ou Jornada nas Estrelas, como a produção foi chamada no Brasil). 

Ao longo de quase 80 episódios distribuídos em três temporadas, a série de Gene Roddenberry mostra Kirk e sua equipe, formada por Spock, o primeiro oficial, e pelo oficial médico Dr. Leonard “Bones” McCoy. Durante as aventuras pelo espaço, a tripulação encontra todo tipo de alienígenas e desafios. 

William Shatner no espaço

Em Star Trek, James T. Kirk é um dos capitães mais famosos na Frota Estelar — e nada mais justo para o oficial destemido que salvou a Terra algumas vezes e liderou sua tripulação rumo ao desconhecido.

Fora da ficção, Shatner pôde viver sua própria aventura espacial: em 2021, ele foi ao espaço suborbital no segundo voo comercial da Blue Origin. “Agora posso dizer uma coisa: sim, é verdade, vou me tornar um rocket man” escreveu ele no X, então Twitter, antes do voo. 



William Shatner e tripulantes do voo comercial da Blue Origin (Imagem: Reprodução/Blue Origin)

William Shatner e tripulantes do voo comercial da Blue Origin (Imagem: Reprodução/Blue Origin)

Foto: Canaltech

Durante o voo, o ator e outros três tripulantes chegaram a 106 km de altitude e puderam curtir alguns minutos da sensação de ausência de peso. Quando questionado sobre a experiência, ele recordou: 

Sugeri para Bezos que eu fosse no primeiro voo. Ele disse que voltaríamos [nesse assunto depois], e só voltamos de fato após um ano. E disseram que não, que o próprio sr. Bezos iria com um rapaz jovem, outro astronauta e seu irmão. Eles foram primeiro, e eu pensei: “beleza, tudo certo, o dinheiro é dele”.

Achei que tinha ficado por isso mesmo, mas eles voltaram e me perguntaram: “você quer ir no segundo?”. Minha resposta imediata foi “não, não quero ser o segundo”. Mas então eu pensei: “vai ser uma aventura, e daí se eu for o segundo?” Então voltei atrás e disse sim, e lá fui eu na segunda viagem. 

Aquecimento global

Afinal, o que é mais inexplicável para o ator: comandar a nave Enterprise, ser apresentador de TV ou viajar ao espaço? Em sua resposta, ele destacou que nunca se separou da realidade existente entre a gravação da série televisiva e do que há do outro lado das câmeras. E foi além, recordando de seu voo com a Blue Origin e como a experiência destacou a urgência de lidarmos com o aquecimento global e seus efeitos.

Viajar ao espaço, queimar gases, ver a escuridão, olhar para baixo e ver o poder da vida no planeta… para depois perceber, com angústia, que este era o motivo de eu estar emocionado. Eu não havia entendido por que chorei até estar de volta, quando saí da nave — era porque eu vi [do espaço] o começo do fim da Terra. 

Estamos matando nossa Terra, e aqueles momentos lá em cima deixaram tudo mais dramático do que nunca. Temos que parar o aquecimento global agora mesmo. Não temos tempo a perder. 

Shatner não é o primeiro a sentir os efeitos de ver a Terra do espaço. Esta clareza mental é conhecida como overview effect (“efeito de visão geral”, em tradução livre), termo criado pr Frank White. Muitos astronautas têm esta experiência, e passam a ver a Terra como uma esfera azul pequena e frágil flutuando no vazio, enquanto é protegida por uma atmosfera fina e delicada.

Inteligência artificial e o futuro

Muito se fala sobre os avanços da inteligência artificial (IA), e claro que o assunto não poderia ficar de fora do papo com o ator. Sobre isso, Shatner traçou um paralelo entre IA e a bomba atômica:

A inteligência artificial é uma besta estranha. Não que nunca tenhamos lidado com bestas estranhas enquanto humanidade, [tais como] venenos, fusão atômica… estas são bestas estranhas que não deveriam nem ter lugar na existência — exceto pela habilidade da humanidade de criá-las. 



Em seu voo com a Blue Origin, William Shatner sentiu a importância de lidarmos com o aquecimento global (Imagem: Reprodução/Tempus/Envato)

Em seu voo com a Blue Origin, William Shatner sentiu a importância de lidarmos com o aquecimento global (Imagem: Reprodução/Tempus/Envato)

Foto: Canaltech

O que podemos esperar da inteligência artificial no futuro? Como vamos lidar com seu funcionamento e avanços? Para ele, é extremamente necessário ter cautela.

Minha esperança é que a IA herde o mesmo lugar da bomba atômica: nós a temos, nós a guardamos, todos sabem que é mortal, que pode dizimar a civilização… não podemos usá-la errado – e a mesma coisa se aplica à IA. Até agora, está sob controle, mas precisamos ter cuidado, pois é bem possível que ela assuma o comando e te renda quando você tentar impedi-la, agindo por conta própria. E isso pode ser perigoso. Precisamos ser muito, muito cuidadosos.

Conhecimento é tudo

Shatner também trouxe colocações sobre a construção do conhecimento e fenômenos sem explicação aparente. 

Não acho que possa existir algo que supere a natureza. O que podemos fazer neste processo é usar nossas ferramentas atuais e as que ainda vão surgir, e assim descobrir o incrível mistério da realidade. Eventualmente, mistérios podem ser explicados, como é o caso dos buracos negros. Temos uma visão inicial sobre eles, como se formam, seus campos de força… buracos negros são a força motora do universo. 

Não sabíamos disso, e acabamos de descobrir o que eles significam, o que fizeram, o que fazem. O sobrenatural está lá fora, esperando para descobrirmos que é natural. Tudo na natureza é tão bizarro, tão inexplicável, que toda vez que descobrimos alguma coisa […], não fazíamos ideia que o mistério existia e muito menos a resposta. Acredito que “sobrenatural” seja outro nome para “mistério”: o que é mistério agora, mais tarde se tornará um fato.

E Shatner tem razão. A natureza é repleta de mistérios e muitos deles desafiam nossa compreensão. É aqui que entra a ciência, que tem papel fundamental para ampliar nosso conhecimento e nos ajudar a entender o mundo em que vivemos. Agora, aguardemos as descobertas e invenções que estão por vir — e que, quem sabe, mostrem que o sobrenatural é mais natural do que parecia. 

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