Porto Alegre – O caos instaurado no Rio Grande do Sul por causa das enchentes atingiu 110 hospitais, deixando 17 sem atendimento e 75 em atendimento parcial. E essa crise na saúde do estado como um todo já afeta o sistema hospitalar de Porto Alegre. Com baixas de trabalhadores atingidos pelas enchentes, a maior rede pública do Sul do país, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), tenta se organizar para ampliar seu quadro de pessoal.
Segundo Alex Santos, assessor da diretoria do GHC, a instituição vai abrir nos próximos dias mais de 270 vagas emergenciais temporárias, com prazo previsto de seis meses de contrato. As vagas previstas serão para contratação de enfermeiros, que apoiarão na assistência dos quatro hospitais e 12 postos de saúde do grupo em Porto Alegre.
Tradicionalmente, o local recebe mais pacientes no inverno e é esperado que as temperaturas caiam na região de Porto Alegre nos próximos dias. Com a baixa no sistema de saúde da região metropolitana, especialmente nas cidades mais afetadas, como Alvorada, Canoas, Eldorado e Cachoeirinha, é esperado um aumento do número de procura nas próximas duas semanas. Santos informa que cerca de 500 dos 10.000 funcionários da instituição foram impactados pelos alagamentos, e sem esse efetivo, o serviço fica muito prejudicado.
Cidades como Estrela, Roca Sales, Sinimbu, Candelária e Canoas estão entre as que tiveram as estruturas de seus hospitais mais comprometidas pelas enchentes. Mesmo hospitais que não sofreram impacto na estrutura física sentem a crise: vias de acesso interrompidas, dificuldade de fazer chegar medicamentos, insumos, oxigênio, gêneros alimentícios e mesmo os trabalhadores.
Em relação ao aumento de fluxo de pessoas, tanto o GHC quanto o Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, ainda não registram nenhuma mudança expressiva. “As pessoas chegam dos locais de resgate e são encaminhados direto aos abrigos (que são pelo menos 60 em Porto Alegre). Há muitos médicos e voluntários de saúde prestando atendimento nestes locais”, explica Santos.
Estado terá ao menos 5 hospitais de campanha
Para dar suporte aos primeiros atendimentos pós-resgate, o Exército e o governo federal estão montando hospitais de campanha em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Estas estruturas já estão funcionando na cidade de Estrela e Canoas. Nesta quinta-feira (9/5), entra em funcionamento em Guaíba e São Leopoldo e, nos próximos dias, em Eldorado do Sul, onde a montagem está sendo finalizada.
Funcionários da defesa civil do DF carregam caminhão com doações de água para às vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul RS porto alegre 8
Doações para os gaúchos
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Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) recebem doações na Base Aérea de Brasília para a população do Rio Grande do Sul, que sofre com inundações do Rio Guaíba em Porto Alegre RS 3
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Estádio Mané Garrincha Arena BRB é iluminado de verde, vermelho e amarelo em solidariedade ao Rio Grande do Sul RS Porto Alegre 3
Estádio Mané Garrincha homenageia o RS
IGO ESTRELA/METRÓPOLES
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Ambev anuncia que passará a produzir água na fábrica do RS
Reprodução/Redes Sociais

Vista aérea da destruição e rua submersa após forte enchente atingiu Roca Sales calamidade pública enchentes inundações forte chuva estado brasileiro Porto alegre Rio Grande do Sul RS 2
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Vista aérea da margem do rio Guaíba após inundação em Porto Alegre – Metrópoles
Ramiro Sanchez/Getty Images

Crianças são resgatadas em barcos após inundação do rio Guaíba em Porto Alegre, Brasil – Metrópoles
Matheus Piccini/Getty Images

Pessoas e animais são resgatadas em barcos após inundação do rio Guaíba em Porto Alegre, Brasil – Metrópoles
Pessoas e animais foram resgatados de barco
Matheus Piccini/Getty Images
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No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, muitas consultas estão sendo canceladas. Segundo fontes da própria instituição, o movimento está até abaixo do normal e os trabalhadores atuam em regime de escala em dias alternados. Áreas como urgências, gestantes, emergência pediátrica e UTI seguem funcionando normalmente.
Desabrigadas pela enchente em Alvorada, as mães de bebês recém-nascidos no GHC procuravam roupas para seus filhos na sala montada por voluntários do hospital. Gesieli Gonçalves lamenta a perda das roupinhas e fraldas da filha Josiane Kérolin, mas vê na bebê a esperança para recomeçar a vida. “Só quando olho para ela tenho forças para seguir adiante”, diz.
Natural de Brasília, Larissa Laziozeno é mãe de Victorio Samuel e está abrigada na Igreja Santa Rosa de Lima. Com o filho internado para uma cirurgia, ela agradece o acolhimento e apoio que tem recebido nos últimos dias: “O povo gaúcho é muito solidário”.
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