O Grupo Prerrogativas, coletivo de advogados e profissionais liberais que prestou apoio a membros do atual governo durante a operação Lava-Jato, emitiu uma nota em repúdio ao Clube Militar por anunciar um encontro de homenagem ao golpe militar de 1964. A entidade, sem citar o nome do presidente Lula, também o criticou por vetar a realização, por parte do Ministério dos Direitos Humanos, de atos de repúdio ao golpe.
âA determinação de silenciar diante do golpe militar de 1964 é inadmissÃvel. Contraria nossa história e ofende a luta e a memória de tantos e tantas em defesa da democraciaâ, declarou o Prerrogativas, temendo que, ao se ignorar a importância de repudiar publicamente o golpe, o governo acaba dando força a movimentos saudosistas ao antigo regime, a exemplo dos que buscam anistiar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
O coletivo ainda declarou apoio ao movimento nos atos marcados para 23 de março, em São Paulo, de repúdio à tentativa de anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos três poderes.
Além da crÃtica ao silêncio do governo, o Prerrogativas se posicionou a respeito do Clube Militar, associação formada por militares da reserva e que participou ativamente tanto na defesa do regime militar quanto nas campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro, que convocou, para o fim de março, um almoço em homenagem aos 60 anos do golpe de 1964, referindo-se à data como um âmovimento democráticoâ.
âNo triste e vergonhoso aniversário de 60 anos do golpe, o momento é de requestionar o passado como condição para entender o presente e vislumbrar um futuro. O passado não governa o presente. E muito menos o futuro. Comemorar o terror é retirar do presente o direito de julgar o passadoâ, afirma o coletivo. âNão se coloca no esquecimento milhares de mortos, desaparecidos, a cassação de mandatos, o AI-5 e a torturaâ, conclui.
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