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Mulher é presa por suspeita de ataque racista contra terreiro de candomblé em Salvador

Da Redação

Uma mulher de 45 anos foi presa preventivamente pela Polícia Civil da Bahia na manhã desta segunda-feira (6), suspeita de envolvimento em um ataque de intolerância religiosa contra um terreiro de candomblé no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador. A prisão foi realizada no bairro da Pituba, onde também foi cumprido um mandado de busca e apreensão.

A investigada responde pelos crimes de racismo religioso e dano qualificado. Segundo a Polícia Civil, a medida é resultado das investigações sobre as pichações feitas na fachada e no portão do terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, que atua há 33 anos na comunidade.

Na ocasião, o babalorixá Pai Mutá informou que as palavras “assassinos” e “Jesus” foram escritas com tinta vermelha na entrada do espaço religioso. O portão de pedestres, o interfone e a caixa de correio também foram danificados.

As pichações foram descobertas por uma filha de santo nas primeiras horas da manhã. Segundo Pai Mutá, foi o primeiro ataque sofrido pelo terreiro, que mantém uma relação de respeito com a comunidade e desenvolve ações sociais na região.

Após o episódio, o terreiro divulgou uma nota em que afirmou: “Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça.”

O caso teve repercussão nacional. A Fundação Cultural Palmares publicou uma nota de repúdio, classificando o ataque como uma grave violação da liberdade religiosa. O órgão destacou que ações contra terreiros de religiões de matriz africana não representam casos isolados, mas atentados aos direitos fundamentais, além de defender a responsabilização dos envolvidos e o fortalecimento de políticas de proteção aos espaços sagrados.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), vinculada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV). Conforme a Polícia Civil, a identificação da suspeita foi possível após a análise de imagens de videomonitoramento e da coleta de outras provas.

Durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais apreenderam dois telefones celulares, um notebook e agendas. Os materiais serão submetidos à perícia e poderão contribuir para o aprofundamento das investigações.

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