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Ataques russos e pressão política antecedem encontro decisivo entre Trump e Zelensky

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir neste domingo (28) com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na Flórida, em um encontro cercado de tensão militar, disputas diplomáticas e incertezas políticas. A reunião ocorre após uma escalada de ataques russos contra Kiev e sua região metropolitana, um dos episódios mais violentos do ano.

Na véspera do encontro, Zelensky endureceu o discurso e classificou o presidente russo Vladimir Putin como um “homem de guerra”. Segundo ele, os ataques recentes deixam claro que Moscou não tem interesse real em encerrar o conflito. A ofensiva aérea russa durou quase dez horas e resultou em mortes, dezenas de feridos e danos severos à infraestrutura civil.

Boa parte da capital ucraniana ficou sem eletricidade e aquecimento em meio a temperaturas congelantes. Autoridades locais relataram incêndios em prédios residenciais, evacuação de idosos e colapso parcial de serviços básicos. Sirenes de alerta aéreo tocaram repetidamente ao longo do dia, mantendo a população em estado permanente de tensão.

Durante a viagem aos Estados Unidos, Zelensky afirmou que buscará de Trump garantias de segurança juridicamente vinculantes como parte de qualquer acordo de paz. O líder ucraniano também voltou a cobrar o reforço das defesas aéreas do país, alegando que a Ucrânia não dispõe de sistemas suficientes para conter os ataques russos, que continuam intensos apesar das negociações em curso.

Antes de chegar aos EUA, Zelensky fez escala no Canadá, onde obteve a promessa de um novo pacote de auxílio econômico bilionário. O movimento reforça a estratégia ucraniana de ampliar o apoio financeiro e político do Ocidente enquanto tenta avançar nas tratativas mediadas por Washington.

Trump, por sua vez, adotou um tom ambíguo. Disse esperar que o encontro “corra bem”, mas deixou claro que qualquer avanço depende de sua aprovação. Também indicou que pretende falar diretamente com Putin, ressaltando que mantém controle total sobre o ritmo e os termos das negociações.

Do lado russo, o Kremlin voltou a afirmar que, caso Kiev não aceite uma solução nos termos desejados por Moscou, a Rússia seguirá com seus objetivos por meios militares. Nas últimas horas, centenas de drones e dezenas de mísseis foram lançados contra o território ucraniano, com foco em alvos civis e energéticos.

O cenário expõe os limites das negociações de paz até agora. Embora Zelensky tenha sinalizado disposição para concessões, como abrir mão da entrada na Otan e discutir ajustes territoriais, não há resposta formal da Rússia à proposta atual. Kiev negocia diretamente com os Estados Unidos, que atuam como intermediários junto ao Kremlin.

Autoridades europeias acompanham o encontro com cautela. Apesar de avaliarem a relação entre Washington e Kiev como produtiva, reconhecem que qualquer negociação envolvendo Trump é imprevisível. O risco político é elevado, e o impacto de uma decisão mal calibrada pode redefinir os rumos da guerra.

Com bombas caindo sobre Kiev e negociações travadas nos bastidores, o encontro entre Trump e Zelensky surge como um dos momentos mais decisivos do conflito. Entre a pressão militar russa e a dependência do apoio americano, a Ucrânia joga uma de suas cartas mais sensíveis desde o início da guerra.

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Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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