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Previdência exonera número dois após prisão e escândalo do INSS expõe conexões políticas

O Ministério da Previdência Social entrou oficialmente em modo de contenção de danos após a prisão do secretário-executivo Adroaldo da Cunha Portal, alvo nesta quinta-feira (18) da nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes contra aposentados do INSS. O ministro Wolney Queiroz anunciou a exoneração imediata do auxiliar e a nomeação do procurador federal Felipe Cavalcante e Silva para o posto de “número dois” da pasta.

Portal foi afastado por decisão judicial e colocado em prisão domiciliar. Ele ocupava o cargo desde maio, quando Wolney assumiu o ministério após a queda de Carlos Lupi, e tinha trânsito político amplo, inclusive com passagem pelo gabinete do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado e um dos alvos de mandados de busca e apreensão.

Esquema bilionário no INSS

A operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União investiga uma rede estruturada de sindicatos e entidades que teriam atuado no desvio de recursos de aposentadorias e pensões por meio de descontos ilegais. As apurações apontam para pagamentos de propina a agentes públicos e políticos em troca de acesso a dados da Previdência.

O rombo estimado chega a R$ 6,3 bilhões, atingindo milhões de beneficiários, muitos deles idosos e em situação de vulnerabilidade. Os crimes investigados incluem inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação de patrimônio.

Alvos e conexões políticas

Entre os principais alvos desta fase está Romeu Carvalho Antunes, preso na operação, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores centrais do esquema. O caso ganhou ainda mais repercussão política diante das relações do grupo investigado com figuras próximas ao governo federal.

Nos bastidores de Brasília, também chamam atenção relatos sobre a proximidade do “Careca do INSS” com integrantes do entorno do Planalto. Há registros de que ele teria viajado em ocasiões ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula da Silva (PT). O episódio, embora citado em investigações e levantamentos preliminares, tem sido tratado com discrição e quase nenhuma repercussão na grande imprensa, o que alimenta críticas sobre dois pesos e duas medidas no debate público.

É importante destacar que não há, até o momento, acusação formal ou denúncia apresentada contra o filho do presidente, mas o vínculo relatado reforça questionamentos sobre a rede de relações políticas em torno do esquema e sobre o silêncio de setores que costumam reagir com rapidez em outros casos.

Operação segue e pressão aumenta

Ao todo, a Justiça autorizou 52 mandados de busca e apreensão, 16 prisões preventivas e diversas medidas cautelares em seis estados e no Distrito Federal. As decisões foram assinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A Polícia Federal afirma que a ofensiva desta etapa busca aprofundar as investigações e mapear o fluxo de dinheiro desviado, além de identificar todos os responsáveis. Enquanto isso, o escândalo amplia o desgaste do governo Lula, que vê aliados diretos e quadros estratégicos atingidos por uma das maiores investigações já realizadas no âmbito da Previdência Social.

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Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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