A juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler suspendeu, nesta segunda-feira (8), o júri popular do delegado Erik Busetti, acusado de matar…
A juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler suspendeu, nesta segunda-feira (8), o júri popular do delegado Erik Busetti, acusado de matar a tiros a esposa e a enteada, de 41 e 16 anos respectivamente. Segundo apurou a Banda B, a suspensão aconteceu após pedido da defesa do réu.
O julgamento teve início por volta das 9h30, no Tribunal do Júri situado no bairro Centro Cívico, em Curitiba (PR). Ele é acusado pelo duplo feminicídio da esposa, Maritza Guimarães de Souza, e da enteada, Ana Carolina de Souza, de 16. Para o Ministério Público do Paraná (MPPR), o crime foi cometido com motivo torpe, pois ele não aceitava o fim de relacionamento.
O advogado que representa Erik Busetti, Claudio Dalledone Jr., argumentou que não teve tempo de analisar novos materiais anexados aos autos do processo na última sexta-feira (5).
A nova sessão de julgamento foi marcada para o dia 1º de julho.
Feminicídio e possíveis irregularidades
Mais cedo, em entrevista à Banda B, Dalledone afirmou que pretendia, durante o julgamento, “desconstruir a narrativa de que ele cometeu um feminicídio” – crime baseado em ódio contra o gênero.
“O que aconteceu foi uma tragédia! Mas ele jamais apertou aquele gatilho porque ela era mulher ou por estar sendo rejeitado. O grande embate é provar que ela acabou falecendo por ser mulher. A interpretação da acusação com aquelas imagens é uma. A interpretação da defesa com as imagens e tudo que consta nos autos vai fazer com que Erik tenha, na medida da sua culpabilidade, uma adequação no apenamento”, afirmou Dalledone antes de sustentar que a “defesa não vai tapar o sol com a peneira”.
A defesa também disse que o início do julgamento deveria ser marcado pela análise de possíveis irregularidades. “Todo grande julgamento precisa passar por uma peneira muito grande para saber se nenhuma nulidade, forma que possa comprometer esse julgamento, não seja observada”, disse.
Salário mesmo preso
Levantamento feito pela Banda B aponta que o delegado Erik Wermelinger Busetti recebeu pelo menos R$ 1.136.483,27 em salários brutos desde que foi detido em flagrante pelo crime, há exatos quatro anos, um mês e quatro dias.
O valor total da remuneração recebida pelo réu por duplo feminicídio desconsidera 13.º salário e pagamentos por férias. Caso sejam levados em conta, somente esses valores somam R$ 93.944,41. Segundo o Portal da Transparência, Erik Busetti possui vínculo ativo com o Estado do Paraná desde abril de 2004.
Acesso ilegal a sistema
Erik também é acusado de acessar, de forma indevida, o sistema interno da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) de dentro da prisão. A primeira denúncia sobre o acesso ilegal ao sistema foi feita pelo Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado (Sinclapol) em novembro de 2021.
O crime
O delegado Erik Busetti é acusado de matar a tiros a esposa e a enteada no dia 4 de março de 2020, na casa em que viviam, no bairro Atuba, em Curitiba (PR). Uma câmera de segurança instalada no interior do imóvel registrou os assassinatos. À época, ele foi preso em flagrante.
Maritza Guimarães de Souza era escrivã da Polícia Civil, e Erik Busetti atuava na Delegacia do Adolescente. O crime ocorreu enquanto a filha do casal, de 9 anos, estava dormindo em um dos quartos da casa.
O delegado teria agredido a enteada com chutes e tapas e a assassinado no momento em que ela abraçou a mãe. A esposa teria sido atingida por pelo menos sete tiros, enquanto a adolescente, seis.
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