Pedro Sales *
A advogada Bruna Hollanda renunciou ao cargo de conselheira na Ordem dos Advogados do Brasil de Sergipe (OAB-SE), alegando falta de apoio institucional após denunciar outro conselheiro da seccional por estupro. Em vÃdeo gravado na segunda-feira (18), a ex-conselheira se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o caso, expondo como a OAB-SE lidou com a situação e apontando a proximidade entre o suspeito e o presidente da seccional sergipana da Ordem.Â
#ViolênciaSexual | Advogada renuncia ao cargo de conselheira na OAB-SE após denunciar que foi estuprada por colega. Ela acusa a entidade de protegê-lo. “Me sinto humilhada e dilacerada”, diz Bruna Hollanda. Leia a matéria completa: https://t.co/J62dWrGlnR pic.twitter.com/upZJ9f6Uhb
â Congresso em Foco (@congressoemfoco) March 21, 2024
O crime, de acordo com a vÃtima, aconteceu em 27 de janeiro. Bruna conta que, ao sair de um bloco de Carnaval naquele dia com o conselheiro, pediu a ele para acompanhá-la até a sede da OAB, onde pediria um carro de aplicativo. Na ocasião, conforme o relato dela, ele lhe ofereceu uma carona. âNão existe carona de graçaâ, afirmou o colega, segundo a advogada. Bruna diz que o conselheiro a levou até o apartamento dele, onde adotou comportamento agressivo, dando um tapa no rosto dela e a empurrando, antes de estuprá-la. O nome do acusado, de quem ela era amiga há oito anos, não foi revelado.
Publicidade
Após o episódio, a mulher passou por um ginecologista, que constatou a presença de lesões em sua genitália, além do vÃrus da herpes, uma infecção sexualmente transmissÃvel (IST). A advogada afirma que, em 8 de fevereiro, conversou com pessoalmente com o presidente da Ordem em Sergipe, Danniel Alves da Costa. Ela alega, no entanto, ter se sentido frustrada. Bruna protocolou a representação contra o conselheiro da OAB-SE. Segundo ela, o acusado é amigo pessoal e sócio do presidente em um escritório de advocacia.
Ela relata que, após o presidente ter afastado o conselheiro e tornado público o caso de violência sexual entre os membros da instituição, em 20 de fevereiro, a principal preocupação do colegiado passou a ser âalinhar o discurso que seria apresentado para a mÃdiaâ. Três dias depois, a OAB-SE organizou coletiva de imprensa para prestar esclarecimentos sobre o crime e afirmou que a advogada estava bem, mesmo sem consultá-la, quando na verdade ela estava muito mal.
âResignada, continuei calada e firme, aguardando o acolhimento institucional que não tive até hoje, nem mesmo da caixa de assistência dos advogados. Em nenhum momento foi realizada uma ação institucional de apoio, preservação e de acolhimento a mim ou a minha famÃliaâ, disse a advogada. âDiante de todos os fatos e omissões, sinto-me absolutamente desamparada, humilhada pela gestão conduzida. Sou vÃtima de estupro, fui dilacerada no corpo, na alma e socialmenteâ
Além da falta de amparo e apoio institucional e de seus pares, Bruna Hollanda alega que a presidente da Comissão do Direito da Mulher da Ordem foi constituÃda como advogada do agressor. âA maior e mais importante comissão da nossa instituição, que representa várias mulheres, não pôde me representar. Logo eu, mulher, advogada e conselheiraâ, protestou.Â
Segundo ela, a Ordem contratou um instituto de pesquisa para abordar advogados e advogadas, por telefone, a fim de avaliar as supostas ações da OAB no caso de estupro. De acordo com Bruna, os entrevistados deveriam responder se as medidas, como o suposto acolhimento – negado pela vÃtima – e o afastamento do conselheiro, eram: âacertadas, brandas, exageradas, insatisfatórias, necessáriasâ ou afirmar que ânão sabia responderâ.Â
A OAB-SE também se manifestou em vÃdeo publicado na segunda-feira. âCompreendemos e nos solidarizamos plenamente com o difÃcil momento que a nossa colega está vivendo e também lamentamos sua renúncia ao Conselhoâ, disse o presidente. Além disso, a Ordem afirmou que seguirá agindo com âética, transparência e equilÃbrioâ, cobrando a apuração dos fatos.Â
âDentro de sua esfera de competência, a OAB adotou todas as medidas que estavam ao seu alcance, inclusive com a instauração de processo disciplinar e imediato afastamento do conselheiro. No entanto, nada do que a Ordem fez e ainda fará será capaz de cicatrizar as dores vivenciadas pela nossa colega. Reafirmamos a mesma que não lhe faltará o apoio moral, psicológico e institucional por parte da nossa casaâ, complementou Clara Arlene, secretária adjunta da instituição.Â
Procurada pela reportagem, a OAB-SE não se manifestou sobre a eventual pesquisa e crÃticas pela falta de apoio. O escritório do qual o agressor é sócio também não respondeu ao contato. O espaço segue aberto.
Você gostou desse conteúdo? Compartilhe!


